Castelo de Terena

As origens do castelo de Terena encontram-se na Baixa Idade Média, concretamente no século XIII, altura em que o Alto Guadiana foi território de fronteira. As informações mais recuadas que possuímos dão conta de um foral passado à localidade em 1262, pelo cavaleiro régio Gil Martins e sua mulher, D. Maria João.
O castelo define um pentágono irregular (ao contrário das fortalezas manuelinas, que privilegiaram as plantas quadrangulares e racionais), a que se associam quatro torres circulares - dispostas assimetricamente, e apenas uma protegendo um ângulo da muralha. A torre de menagem, de planta quadrangular de dois pisos, localiza-se a meio de um dos panos da cerca e implanta-se sobre a porta principal, que assim protege por meio de pequena barbacã dominante, dotada de adarve e terraço ameado. A entrada principal, em cotovelo, revela bem o alcance das obras manuelinas, uma vez que é acedida por dois amplos arcos de volta perfeita, com impostas marcadas e decoradas com bolas e entrelaçados.
Em 1652, o castelo foi ocupado pelas tropas castelhanas, mas os nossos arquitectos de então não privilegiaram a fortaleza, preferindo, de longe, a fortificação de Elvas. Com efeito, não encontramos em Terena qualquer sistema abaluartado de defesa e, à excepção da Porta das Sortidas, deliberadamente voltada a Espanha, nenhum outro elemento evoca o bélico momento seiscentista.
Os séculos seguintes determinaram um progressivo abandono. No terr
amoto de 1755 registaram-se alguns estragos. A consolidação da estrutura chegou apenas no século XX, por intermédio da DGEMN, que aqui efectuou uma primeira campanha em 1937, que incluiu a reconstrução de um pano de muralha e a reinvenção de ameias. Na década de 80, realizaram-se diversos trabalhos na torre de menagem, de que importa destacar a reconstrução de abóbadas e uma série de adulterações aos elementos originais.

Textos retirados do site www.ippar.pt